Fim da escravidão Parte II

Eu morava num lugar que tinha um quintal muito grande, quase uma chácara. Quando minha avó ficou doente, construímos uma pequena casa nos fundos da nossa para podermos cuidar dela. Porem, ela melhorou e picou a mula, deixando-nos com cara de bobos e uma casa vazia. Então minha mãe resolveu alugar em troca de uma graninha.

Era início do plano real, as coisas estavam começando a melhorar para todos. A primeira pessoa que alugou infelizmente faleceu cedo, era uma senhora que sofria de alcolismo. Logo em seguida, alugamos para uma baiana, a Dilma. Era separada do marido e tinha um filho pequeno. Trabalhava de doméstica e estava juntando seu dinheirinho para comprar um lote e voltar para a Bahia. Assisti Dilma trabalhar muito para criar o filho sem ajuda do ex marido. Mas em poucos anos conseguiu o que queria e e se foi. Depois veio a dona Nilza. Ela também era doméstica e tinha o marido doente e afastado do emprego.

Quando chegou, dona Nilza não dormia em casa, só voltava a cada 15 dias. Trabalhava em casa de gente rica o dia todo e era constantemente acordada durante as madrugadas para satisfazer as vontades dos patrões festeiros. Mas ela estava cansada disso, surgia várias propostas para trocar de casa, receber tudo que tinha direito, toda aquela coisa de CLT, folgas aos finais de semana e tal. Dona Nilza partiu para uma melhor. Logo também nos avisou que iria abandonar o aluguel da nossa casa por uma maior e mais confortável. Pude ver várias domésticas fazendo o mesmo.

Hoje em dia ter uma empregada é uma tarefa difícil. Querem ganhar bem, ter direitos, viver bem… assim como qualquer pessoa. Não dependem mais da moradia do emprego, não precisam mais viver num regime quase escravo, vulgo “quase da familia”.

Hoje as meninas do interior vem para as capitais atrás de bons empregos, querem estudar. Estudam. Crescem. Não terminam mais a vida na casa dos outros.

Entendo o drama da Rita Lee. Vai ser difícil encontrar uma mulher para trabalhar com folga a cada 15 dias e dormir no emprego. Talvez seja o momento da classe média alta buscar isso em outro lugar menos desenvolvido né? Quem sabe na Grécia, já pensou?

Surpresa

Engraçado como lidamos no nosso dia a dia com as pessoas nas redes sociais. Semana passada eu exclui uma conta no Facebook por estar muito incomodada com o conteúdo que alguns amigos compartilhavam. Sei que incomodei algumas pessoas com os meus conteúdos também. Faz parte. Na Interne a gente acaba entrando muito na intimidade que as pessoas querem abrir e fazer-nos participar. Se não gostar, o jeito é sair. Foi o que eu já fiz duas vezes.

Mas o twitter é especial para mim. Sinto liberdade para filtrar o tipo de informação que chega, sem a pressão da amizade que nos forçam a “seguir” todos os conhecidos, amigos e as vezes até inimigos de outrora. O twitter é como uma sala de espera de consultório médico. A gente reclama, todos escutam, alguns dão palpite, outros te xingam… e assim segue a vida, assim a gente se envolve com as arrobas e com seus dramas pessoais, sucessos profissionais e comemoramos até a chegada de bebes ou um casamento reatado.

Escrevi tudo isso só para dizer que hoje estou muito feliz por uma pessoa que não me conhece, não me segue, não sabe que eu existo. Mas admiro essa pessoa e estou  “soltando fogos” por ela ter conseguido realizar o transplante que precisava. Ele (@alerocha) lutou muito até ser chamado para a cirurgia, acompanhei muitas madrugadas que ele passou acordado por sentir falta de ar e dor. Acompanhei seu medo de morrer e não poder estar com o filho, as oportunidades que perdeu, enfim, todo o inferno que passou. Agora é torcer para que se recupere rápido e possa seguir a vida a diante.

Isso foi uma grata surpresa!

Cheiro de banana podre

Cheiro de que? de banana que passou do tempo (por muito tempo). Isso aconteceu comigo hoje. Fui jogar 4 bananas no lixo e acabei me sujando de um líquido fedido que vinha delas. Esse cheiro está impregnado aqui em casa, na minha roupa, em mim… O local que estavam as bananas já lavei, assim como a roupa e estou de banho tomado, mas o cheiro meio ácido está no ar. Um pouco de acidez da banana podre, um pouco da acidez das coisas da vida. Não há Bom Ar que o retire daqui.

Fui recorrer ao perfume, fragrância de frutas vermelhas e flores. Descobri também que esse cheiro não faz mais o meu nariz. Um perfume delicioso que não funciona na minha pele mais. Funcionava bem, porem não sou mais a mesma. O perfume agora reclama, não adere. Sinto que quando eu o uso, o cheiro fica agitado, querendo ir embora, sair, saltar para outro corpo. Talvez seja a hora de buscar por um perfume mais cítrico, não de banana podre. Ou buscar por adoçar mais a vida, até porque eu gosto mesmo é de cheiro de baunilha!